Usinas de benefício compactas: garantindo a qualidade de micro e nanolotes de café

29.11.2021 Autor: Administrador Fonte: PaliniAlves
Conheça sobre a importância desse momento, que é essencial para garantir a qualidade e os atributos que os frutos adquiriram nas lavouras

Pouco se fala sobre este momento da jornada do café, mas o benefício seco é essencial para garantir a qualidade e os atributos que os frutos adquiriram no cafezal. Após o processamento (natural, cereja descascado, lavado, honey...), a secagem e o período na tulha, o café precisa passar pelo beneficiamento antes de ser entregue para os clientes. Mas como o benefício impacta na qualidade de micro e nanolotes de café?

Processos criados em uma realidade de grandes lotes, até pouco tempo atrás, benefício e rebenefício não eram adequados ao preparo de lotes menores, que requerem maior cuidado e atenção. Volumes mínimos muito grandes e maquinários que acumulam resíduos fizeram do preparo de pequenas quantidades de cafés especiais algo bastante desafiador, trazendo inclusive prejuízos para produtores e compradores.

Para conhecer mais sobre o tema e saber como alguns produtores e armazéns estão lidando com essa questão, o PDG Brasil conversou com alguns especialistas. Continue lendo para saber o que nos disseram.



O que são o benefício e o rebenefício de café?

Para além do terreiro, dos tanques de fermentação e das tulhas, um dos momentos mais importantes em se tratando de padrão, consistência e qualidade de café é o beneficiamento. Geralmente dividido em duas partes, benefício e rebenefício, o processo se difere do que acontece no cafezal. São fases industriais dos cuidados com o café, que requerem outros conhecimentos técnicos, além de maquinários de alta eficiência e durabilidade.

Muitas vezes, algumas produtoras e alguns produtores, por não contarem com os equipamentos e o espaço necessários, acabam terceirizando tais processos. É bastante comum o beneficiamento ser realizado, por exemplo, em armazéns de associações,  terceirização com prestadores de serviços em unidades móveis, cooperativas ou mesmo de exportadoras que oferecem essa estrutura. Ao final, o produtor acaba terceirizando e perdendo o controle de uma operação crucial para produção de cafés de qualidade.

Veja o que significam cada uma dessas fases do beneficiamento:

Benefício

Ao ser retirado da tulha, o café precisa ser limpo (separado de impurezas, como terra e galhos) e descascado, para virar o que tecnicamente chamamos de “café verde” ou grão beneficiado. Essa fase é realizada com equipamentos de pré-limpeza (peneirão), abanadores e descascadores.  

Rebenefício

Já o rebenefício é a fase da classificação em que o café é preparado de acordo com as especificações do comprador. Maquinários como o separador de pedras, classificadores e mesas densimétricas, separam os grãos por tamanho (peneira) e densidade e outros detectam os grãos com defeitos, descartando-os.  

Algumas vezes, no rebenefício é necessário também fazer a homogeneização do teor de umidade, por meio de ventiladores. Após todos esses processos, o café “preparado para embarque” será armazenado nas sacas, big bags ou silos a granel, para posteriormente serem enviados para os compradores.

Carlos Palini é diretor comercial da Palinialves, empresa especializada na produção e no fornecimento de maquinários e soluções tecnológicas para fazendas e armazéns de café, há 40 anos. Seus clientes são cafeicultores e cafeicultoras de todos os portes, exportadores, cooperativas, associações. 

Carlos destaca: “O rebeneficiamento é a etapa que coroa todos os esforços da produção de café. O cafeicultor, exportador ou a cooperativa, prepara o lote para atender a demanda do cliente. É a carta de apresentação. Um erro no momento do beneficiamento e você pode prejudicar todo um projeto”.

Gerente operacional da Agropecuária Minamihara, Martha Grill também considera o beneficiamento de extrema importância. “Para quem trabalha com qualidade, após o benefício, é essencial rebeneficiar o café para enquadrar o lote dentro dos padrões desejados”, diz.

“Por melhores que sejam os tratos culturais na lavoura e o cuidado na colheita e secagem, todo café apresenta uma porcentagem de defeitos que vai influenciar na qualidade final da bebida”, explica Martha. “Um rebenefício bem-feito trata não apenas de tirar os defeitos, mas também de manter atributos e de não adicionar mais defeitos.”